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Por
que havias de chegar
Por
que havias de chegar
num dia enevoado de bruma
nessa manhã de vento forte que me roubou
a (minha) máscara?
Por que havias de entrar
num dia de porta aberta
e me surpreender nua
a um canto tiritando
procurando confusa os trapos
para me tapar?
Por que nesse maldito dia
em que desprevenida
lavava uma saudade
e me arrumava a um canto
um tempo que me doía?
Por que me terias que abraçar
e me chamar mulher
e abrir a janela e inventar um sol
sussurrar uma canção?
Para quê?
Se foi o tempo de um cigarro?
Dina
Salústio, 1986.
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Fonte: X.L.Garcia, Antologia da poesia feminina dos PALOP.
Santiago de Compostela, Laiovento, 1998..
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