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Véspera
Seríamos
dois faunos sobre a praia,
batidos pelo vento e pelo sal,
tendo por manto apenas a cambraia
da espuma
e, por fronteira,
o areal.
Gémeos
de corpo e alma,
ver um era ver outro:
a mesma voz,
a mesma transparência,
a mesma calma
de búzio, intacto em cada um de nós!
Felicidade?
Não.
Inconsciência!
E as
nossas mãos brincavam com o lume
à beira da impaciência
e do ciúme...
Pedro
Homem de Melo, de O rapaz da camisola verde. 1954.
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Fonte: Natália Correia, Antologia da poesia portuguesa
erótica e satírica. 3ª ed. Lisboa, 2000.
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